A mensagem da cruz - Parte 6: Tudo está completado!

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João 19:30

Texto bíblico base:

& Quando ele tomou o vinho, disse: — Tudo está completado! (Jo.19:30ª NTLH)

Nós nos aproximamos ao dia da Páscoa, quando comemoramos a morte e a ressurreição de nosso SENHOR Jesus Cristo. Ao longo de algumas semanas, nós temos meditado sobre as Suas palavras na cruz do Calvário, as quais não só expressaram a Sua missão sobre a Terra como a que devemos assumir, à semelhança Dele.

Chegamos à sexta declaração de Jesus na cruz – “Está completado!”, ou “Está consumado!”. Nas duas últimas palavras de Cristo sobre o desamparo de Deus e o Seu clamor de desolação, ao dizer que tinha sede, chegamos ao Seu brado de vitória ou de conquista: “Está consumado ou completado!

A “mensagem da cruz” nos mostra a grande ou intensa humilhação que Jesus sofreu por parte do homem e o alvo da encarnação divina alcançando o seu objetivo. Além do mais, a “mensagem da cruz” nos mostra toda a perversidade e maldade humanas. Jesus concluiu a Sua missão e nos deu o modo de como podemos ser salvos.

Ao dizer que tudo estava consumado, Jesus expressa o seguinte:

  • Que Ele “nunca se desviou” da base que Lhe dava a segurança divina, ou seja, “o prazer” de obedecer a Deus e “a satisfação” de ter completado a Sua missão.
  • Que Ele “pagou o alto preço” para a nossa redenção (preço que nós mesmos não poderíamos pagar).
  • Que Ele cumpriu todas as profecias do Velho Testamento (as predições messiânicas) a Seu respeito.
  • Que Ele bebeu o último gole do cálice amargo que Lhe foi oferecido, o qual nós não tomaríamos.
  • Que Ele aceitou o sacrifício que revelaria a bondade e a glória do Pai (veja Jo.12:23,31; 13:31; 16:5; 17:4), em contraste à perversidade humana.

Na semana passada, nós meditamos sobre a expressão de Jesus: “Tenho sede!” (cf. Jo.19:28,29). Ele tinha sede de Deus, e se assim não Se expressasse, não diria “Está completado ou consumado!”, ou seja, “Eu fiz tudo o que me mandou fazer”!

Quem tem sede de Deus, deseja estar onde Ele está. Quem tem sede de Deus, não consegue conviver com a ausência do Criador. Jesus suportou três horas abandonado por Deus, sofrendo todas as mais severas humilhações, sem contar as que Ele sofreu antes de chegar à cruz. Foram três horas áridas e de grande secura. Ele tinha sede e Lhe deram vinagre para beber. (cf. Sl.69:21)

É isso o que homem e muitos cristãos têm dado a Jesus: o que é azedo, o que é misturado (o vinho azedo misturado com ervas amargas), e não o que é puro. Achamos que o que Lhe oferecemos irá abrandar a Sua dor e a Sua justiça em relação ao ser humano, mas, infelizmente, o que temos oferecido a Deus só aumenta a nossa culpa e condenação.

Nós não sabemos o que oferecer a Deus, ou seja, o que Lhe agrada, o que Lhe dá prazer e o que expande a Sua glória. Na cruz, Jesus está mostrando a grandeza e bondade do Pai, colocando naquele madeiro o Seu Filho, ou seja, no lugar em que todos nós deveríamos estar. Jesus estava libertando os que creem da ira divina vindoura.

Muitos pregadores pregam que o objetivo do Evangelho é o de livrar o ser humano do medo, da culpa, das necessidades pessoais, de providenciar curas a todos os enfermos, realizar milagres a granel, trazer prosperidade financeira, produzir alegrias e bem-estar pessoal. Isso é baratear ou desvalorizar o Evangelho. Mas como desvalorizamos o Evangelho?

Faço uso das palavras de John Stott: “Nós barateamos o evangelho quando o retratamos apenas como algo que nos liberta da tristeza, do medo, da culpa e de outras necessidades pessoais, ao invés de apresentá-lo como uma força que nos liberta da ira vindoura”.

Certa vez (cf. Lucas 12:13-15), Jesus foi procurado por um homem para Lhe pedir uma ajuda. Ele queria que Jesus o acudisse em um problema com o seu irmão. Este não queria repartir a herança do pai com ele. Então, Jesus disse: "Homem, quem Me pôs como juiz sobre vocês para decidir coisas assim?”. (Bíblia Viva) Em vez de resolver a situação, Jesus a usou para ensinar uma verdade sobre a posse de bens materiais: “Cuidado! Não andem sempre querendo o que vocês não têm. Porque o valor da vida que alguém tem não depende da quantidade de bens que possui". (Bíblia Viva)

Então, Jesus conta uma parábola (cf. Lucas 12:16-19) sobre um homem que plantou uma grande colheita e colheu muitos frutos. Esse homem, após o seu sucesso na lavoura, disse a si mesmo que poderia descansar, comer, beber e se alegrar. Porém, na parábola, Jesus o chama de tolo ou louco. (cf. Lucas 12:20,21) “Mas Deus lhe disse: Louco! Você esta noite, morrerá. E então, quem ficará com tudo isso? Sim, todo homem é um louco quando fica rico só na terra, mas não no Céu." (Bíblia Viva)

Em primeiro lugar, perceba que Jesus não julgou a causa daquele que O procurou, mas aproveitou a situação para ensinar (os Seus discípulos) sobre como deve ser o procedimento daquele que ama a Deus ou que tem sede Dele. Jesus não veio para ficar resolvendo causas humanas. Em segundo, o lavrador (na parábola), expressando o seu sentimento de grande conquista, disse a si mesmo que tudo estava consumado – subentende-se que agora estava rico e que poderia levar uma vida de regalias.

Isso é o que este mundo chama de sucesso: as conquistas presentes garantirão um futuro cheio de privilégios sobre a Terra. Entretanto, para Deus e o Evangelho, o sucesso de um homem não consiste no que ele conquista para si neste mundo, mas o que virá sobre ele após a sua morte! Então, nada estava consumado (para o homem rico da parábola), pois ele viveu somente para si e não fez nada para Deus e o próximo (no caso, o irmão que foi Lhe pedir ajuda).

Deus nunca deixará de realizar a cada um de nós o bem que Ele mesmo decide ser o melhor, para um determinado momento. Isso é um ato da Sua bondade e misericórdia (dar a cada ser o que lhe é necessário de acordo com a Sua justiça). Cabe a cada cristão verdadeiro cumprir ou completar a missão que lhe foi dada por Deus.

1. Jesus completou a Sua missão e se manteve sob os princípios da segurança divina pela obediência.

Há aquele que pensa que o Cristianismo se resume em frequentar uma igreja, participar de várias reuniões (ensino, orações etc.), exercer um cargo ou uma função para ajudar no bom andamento das coisas e contribuir para o sustento do prédio e ministério. Isso tudo o torna religioso, mas não efetivamente um cristão.

O verdadeiro Cristianismo tem como base o amor a Deus e ao próximo. (cf. Mt.22:36-39; 1 Jo.4:20,21) Quando você ama a Deus, aprenderá princípios que regem a sua conduta espiritual e moral, tanto em relação ao SENHOR como ao seu próximo. A Bíblia chama essa atitude de “PRIMEIRO AMOR”. (cf. Ap.2:4)

Você pode defender o Cristianismo, conhecer suas doutrinas, gostar da sua igreja, participar das reuniões e ainda continuar egoísta ou orgulhoso pelo conhecimento que adquiriu e pela função que exerce dentro dela (Igreja). Quando amamos a Deus, desejamos levar as pessoas ao conhecimento Dele, fortalecê-las Nele por meio do que aprendemos e essas duas atitudes não só expandem a Igreja como a fortalece.

Essa é a missão que recebemos de Deus, por meio de Jesus Cristo (amar a Deus e ao próximo, evangelizar, discipular e fortalecer o Corpo ou a Família de Deus). Jesus mesmo a cumpriu e declarou no final que tudo estava completado ou consumado. Jesus perdoou pessoas (deu a oportunidade para irem a Deus), oferece-lhes a salvação (as conduziu ao Pai), pediu que cuidassem uns dos outros (que se fortalecessem como corpo e família), deu exemplo sobre como enfrentar as aflições fazendo a vontade Deus, expressou o Seu desejo nas aflições pela comunhão com Deus e completou a Sua missão. Jesus amou a Deus, ao próximo e, por causa da sua atitude, foi honrado e aprovado pelo Criador.

Jesus não frequentou a cruz, mas Ele mesmo se dirigiu a ela, a fim de dar a Sua vida para resgatar a muitos dos poderes do mal e do mundo (cf. Jo.3:14; 8:28; 12:32; Mt.20:17-19). Se Jesus é o nosso exemplo maior, por que não O seguimos? Eu sei que não é fácil, mas essa deve ser a nossa atitude – segui-Lo e fazer o mesmo que Ele fez – morrermos para nós mesmos, a fim de levarmos a vida de Deus ao próximo!

Agindo assim, nós nos manteremos sob os princípios da segurança e aceitação divina, por meio de uma vida de fé e obediência. O Cristianismo não é uma recreação, mas o nosso engajamento ao plano divino neste mundo até a volta de Jesus.

2. O apóstolo Paulo completa a sua missão e é um exemplo a ser seguido.

Perto da hora da sua morte, o apóstolo Paulo diz o seguinte:

& 6 Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. 7 Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. (2 Tm.4:6,7 ACF)

Vamos ler o mesmo texto na Nova Tradução da Linguagem de Hoje com alguns comentários que eu incluí, a fim de que você entenda a mensagem divina:

& 6 Quanto a mim, a hora já chegou de eu ser sacrificado (ser martirizado, ter meu sangue derramado pela causa de Cristo), e já é tempo (definido por Deus) de deixar esta vida. 7 Fiz o melhor que pude na corrida (combati, esforcei-me ao máximo, lutei contra os meus adversários com sofrimentos, dificuldades e perigos), cheguei até o fim (terminei, completei a carreira como ordenado), conservei (conservei, tomei conta de guardar) a fé (a crença em Cristo, por meio da lealdade, fidelidade e obediência). (2 Tm.4:6,7 NTLH)

Nenhum cristão está livre de infortúnios neste mundo (cf. Jo.16:33). É impossível haver paz entre forças antagônicas, isto é, entre Jesus e o mundo, entre o amor e o ódio (cf. Jo.15:18,19), entre a fé (fidelidade) e a incredulidade (infidelidade) (cf. Mt.10:16-22), entre o Espírito de Deus e as paixões humanas (ou carne) (cf. Gl.5:16-18). Portanto, todo aquele que deseja uma vida cômoda, o Cristianismo é o pior lugar para ele!

As aflições em nossas vidas não acontecem sem a permissão divina e elas nos sobrevêm em um tempo determinado por Deus, para alguma finalidade divina e, de acordo com o que temos aprendido sobre o sacrifício de Jesus na cruz, para mostrar a grandeza e a bondade de Deus em resposta à perversidade humana.

Então, cabe a nós, cristãos, mostrarmos a glória de Deus em cada situação, mesmo que estejamos sofrendo toda a perversidade ou maldade de terceiros. Se estivermos dentro de uma situação desagradável pela permissão divina, ela se torna uma situação específica dentro da nossa missão cristã, onde devemos brilhar a luz de Cristo (cf. Mt.5:16).

Por exemplo: O apóstolo João foi exilado à Ilha de Patmos, no Mar Mediterrâneo. Todavia, em meio a tanto sofrimento, ele não deixou de servir a Deus. No dia do SENHOR (no primeiro dia da semana, no domingo, segundo os judeus), João estava em comunhão com Deus e recebeu a revelação do livro do Apocalipse. (cf. Ap.1:9-11). Depois de ter recebido toda a revelação futura sobre a Terra, a humanidade, a segunda volta de Jesus para a Igreja, a Grande Tribulação e a vinda de Jesus no final desta para os judeus convertidos a Ele, a instalação do Seu Reino Messiânico e o grande Trono Branco, quando Deus julgará os vivos e os mortos, ele concluiu a sua missão? Claro que não! Ele concluiu uma parte específica dentro da sua missão, porém, depois da sua prisão, foi solto e pastoreou a Igreja na cidade de Éfeso até a sua morte natural. Depois de longos anos de perseverança e obediência à sua vocação divina, João completou a sua missão, ou seja, ele a consumou, conservando-se na fé.

Então, voltando às palavras de Paulo em 2 Tm.4:6,7, que eu entenda que toda missão cristã exige:

& 6 Quanto a mim, a hora já chegou de eu ser sacrificado (ser martirizado, ter meu sangue derramado pela causa de Cristo), e já é tempo (definido por Deus) de deixar esta vida. 7 Fiz o melhor que pude na corrida (combati, esforcei-me ao máximo, lutei contra os meus adversários com sofrimentos, dificuldades e perigos), cheguei até o fim (terminei, completei a carreira como ordenado), conservei (conservei, tomei conta de guardar) a fé (a crença em Cristo, por meio da lealdade, fidelidade e obediência). (2 Tm.4:6,7 NTLH)

  • Sacrifício (a negação do eu) para servir a Deus em Cristo Jesus;
  • Enfrentar as situações definidas por Deus, segundo os princípios da vida do Alto e não desta vida;
  • Fazer o melhor diante de adversários, dificuldades sofrimentos e perigos;
  • Ir até o fim, ou seja, completar a tarefa;
  • Manter-se na fé, ou seja, em fidelidade e obediência à Palavra de Deus;
  • Jesus e Paulo praticaram esses princípios e foram aprovados por Deus e, portanto, são exemplos a serem seguidos.

Eu nada sei sobre os problemas pessoais que você está enfrentando neste momento, mas as palavras que revelam a conduta de Paulo trarão a aprovação de Deus à sua vida. Lembre-se que nada lhe acontece sem a permissão de Deus, às vezes, para discipliná-lo, e noutras, para fortalecê-lo e dar testemunho do Seu amor, bondade e misericórdia.

Lembre-se que o Cristianismo é um compromisso sério com Cristo e Seu Evangelho, ao longo de toda a vida sobre a Terra. Conforme o tempo passa, mais próximos estamos da volta de Jesus, e esse período é chamado pela Palavra de Deus como os “tempos difíceis! (cf. 2 Tm.3:1) Isso significa que enfrentaremos muitas circunstâncias aterradoras e inexplicáveis acerca do comportamento humano. Porém, Jesus disse:

& Mas quem ficar firme (perseverar na fé em Cristo sob desgraças e provações) até o fim será salvo (receberá a aprovação de Deus e se livrará do grande julgamento). (Mt.24:13 NTLH)

Que no fim de nossos dias, todos nós possamos dizer: “Está tudo completado ou consumado! Completamos a nossa missão e agora vamos para os braços do Pai!

Que Deus nos abençoe!

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