A fé é mais do que acreditar - Parte 49: A fé de Sansão - Só quando cego, pôde ver o que antes deveria ser visto

FAÇA DOWNLOAD:

mp3

Hebreus 11:32; Juízes 16:18-31

Eu não pretendo lhes falar sobre toda a história de Sansão, pois levaríamos muitas semanas. Talvez, eu faça isso em outra oportunidade. Entretanto, a vida de Sansão expressa o comportamento frágil, tanto espiritual como moral, de muitos cristãos e o da própria Igreja em nossos dias. Segundo a vida de Sansão em comparação aos cristãos e à Igreja de nossos dias, nós podemos observar os seguintes aspectos:

  • Têm força, mas não levam a sério o compromisso com Deus.
  • Foram criados e levantados por Deus, porém não valorizam o seu relacionamento com Ele.
  • Participam de grandes manifestações divinas, mas falham em temer e respeitar a Deus.
  • Confundem em serem usados por Deus com a aprovação Dele.
  • Não veem problema algum ao se associarem com o que desagrada a Deus.
  • Estão espalhados quase pelo mundo todo, mas sem a visão dos princípios do Reino de Deus.
  • Buscam somente os prazeres pessoais e não aprendem a morrer para si mesmos.
  • Têm se transformado em um espetáculo de zombaria pelo mundo.

Texto Base:

& 18 Quando Dalila (seu nome significa “dócil, fraco, abatido, oscilante”) percebeu que ele tinha dito a verdade, mandou o seguinte recado aos governadores filisteus: — Voltem de novo. Agora ele me disse a verdade. Então eles vieram e trouxeram o dinheiro. 19 Ela fez com que Sansão (seu nome significa “pequeno sol, brilhante como o brilho do Sol”) dormisse no seu colo. Em seguida chamou um homem, e ele cortou as sete tranças de Sansão. Aí Dalila começou a provocá-lo, mas ele havia perdido a sua força. 20 Ela gritou: — Sansão! Os filisteus estão chegando! Ele se levantou e pensou: “Eu me livrarei como sempre.” Sansão não sabia que o SENHOR o havia abandonado (se retirado, se afastado). 21 Os filisteus o pegaram e furaram os seus olhos. Então o levaram para Gaza e o prenderam com correntes de bronze. E o puseram para trabalhar na prisão, virando um moinho. 22 Mas o seu cabelo começou a crescer de novo. 23 Os governadores filisteus se reuniram para fazer uma festa e oferecer um grande sacrifício ao seu deus Dagom (“o deus-peixe” – deus pagão da fertilidade com rosto e as mãos de um homem, mas com uma cauda de peixe). Eles cantavam: “O nosso deus entregou o nosso inimigo Sansão nas nossas mãos!” 24 E o povo, quando viu Sansão, cantou louvores ao deus Dagom, assim: “O nosso deus entregou nas nossas mãos o inimigo que destruía a nossa terra e matava muitos dos nossos.” 25 E, no meio daquela alegria, disseram: — Chamem Sansão, para ele nos divertir (“para rirmos com escárnio”). Trouxeram Sansão para fora da cadeia e se divertiram à custa dele. Depois o colocaram entre as colunas do templo. 26 Então Sansão pediu ao rapaz que o guiava pela mão: — Deixe-me tocar nas colunas que sustentam o templo para que eu possa me encostar nelas. 27 O templo estava cheio de homens e mulheres. Os cinco governadores filisteus estavam lá. Havia no terraço mais ou menos três mil homens e mulheres olhando para Sansão e se divertindo à custa dele. 28 E Sansão orou ao SENHOR, dizendo:Ó Senhor, meu Deus, peço que lembres de mim. Por favor, dá-me força só mais esta vez. Deixa que eu, de uma só vez, me vingue dos filisteus, por terem furado os meus olhos. 29 Então agarrou as duas colunas do meio, que sustentavam o templo. Com a mão direita numa coluna e a esquerda na outra, jogou todo o seu peso contra elas 30 e gritou: — Que eu morra com os filisteus! Em seguida deu um empurrão com toda a força, e o templo caiu sobre os governadores e todas as coutras pessoas. E assim Sansão matou mais gente na sua morte do que durante a sua vida. 31 Os irmãos de Sansão e toda a sua família foram buscar o seu corpo. Eles o levaram e sepultaram entre Zora e Estaol, no túmulo de Manoá, o seu pai. Sansão havia governado o povo de Israel durante vinte anos. (Jz.16:18-31 NTLH)

O nosso texto base fala de um acontecimento que se deu por volta de mais ou menos 2000 anos a.C. Os personagens do nosso texto são Dalila, o povo Filisteu, o deus pagão Dagom e Sansão, escolhido por Deus para ser tanto um juiz sobre Israel como um nazireu, função esta que explico abaixo. Vejamos:

Dalila: Seu nome significa “dócil, fraco, abatido, oscilante”. Ela foi a amante de Sansão e a sua função, dada a ela pelos filisteus, era descobrir o segredo da força do homem de Deus. Ela o traiu por interesses financeiros. Ela descobriu o segredo de Sansão acusando-o a cada dia de não amá-la de verdade.

Filisteus: Os filisteus eram um povo gentio que ocupava a costa sul da Palestina nos tempos bíblicos. Os filisteus são citados na Bíblia, em muitas ocasiões, sempre em oposição aos israelitas. O termo “filisteu” traduz o hebraico “pelishti”, que na maioria das vezes, aparece em sua forma plural, “pelishtim”. Provavelmente, esse termo seja um tipo de adjetivo étnico derivado da designação territorial desse povo. Eles não formaram uma nação na Palestina, mas se organizaram em cidades-estados, sendo que cada uma delas possuía o seu próprio rei.

  • Mas não é possível determinar com exatidão o seu significado, visto que sua origem etimológica é desconhecida. É possível que a forma egípcia prst seja a primeira designação conhecida dos filisteus. Se for esse o caso, então esse termo indica que os filisteus foram um dos povos do mar que tentaram invadir o Egito durante o reinado de Ramessés III, em aproximadamente 1200 a.C.
  • Segundo os estudiosos, os filisteus saíram de Casluim, da descendência de Mizraim, filho de Cam (cf. Gênesis 10:14; 1 Crônicas 1:12). Estudos realizados por pesquisadores, apontam que os Filisteus, possivelmente, chegaram à Palestina, vindos de Caftor, nome hebraico para Creta (cf. Amós 9:7).

O deus pagão Dagom: Moedas descobertas de Arvade e Ascalom trazem estampadas nelas a figura de uma divindade com rosto de homem e a cauda de um peixe. O deus pagão Dagom era reconhecido pelos filisteus como o “deus da fertilidade ou dos cereais”, e na Palestina antiga haviam muitos templos dedicados a esse deus pagão.

Sansão: Sansão foi um dos últimos juízes levantado por Deus para julgar Israel, antes da vinda de Samuel. Seu nome significa “pequeno sol ou brilhante como o Sol”. Sansão foi um israelita da tribo de Dã, filho de Manoá e de “uma mulher” estéril. A Bíblia não diz nada sobre o nome de sua mãe. Sansão nasceu por volta de 1090 a.C., logo no início da opressão dos filisteus, o qual durou quarenta anos (Jz 13:1).

  • Sansão era um narizeu e cresceu recebendo treinamento espiritual adequado. Já crescido, o Espírito do Senhor veio sobre Sansão e o capacitou a realizar grandes proezas que demonstravam uma força física sobre-humana (ex.: Jz 13:25; 14:6,19; 15:14).
  • Apesar disso, Sansão falhava em guardar os votos do nazireado e honrar a Deus em todas as ocasiões. Ele ignorou a proibição de seu voto e se aproximou de um cadáver (Jz 14:8), tomou vinho quando ofereceu um banquete (Jz 14:10) e praticou relações imorais com uma prostituta de Gaze e com Dalila.
  • Sansão odiava os filisteus, sendo um grande opositor para aquele povo em uma época em que os israelitas pareciam não se importar com a condição de submissão. A Bíblia diz que era o Espírito do Senhor que o incitava contra os filisteus (Jz 13:25; 14:4).

Nazireu: Na Bíblia, nazireu é o nome utilizado para se referir a uma pessoa que estava presa a um voto especial de consagração a Deus. O voto do nazireado geralmente era feito voluntaria ou divinamente, e compreendia apenas um período específico de tempo. Entretanto, existem referências em que os pais consagravam os filhos como nazireus por toda a vida. O caso mais conhecido, certamente, é o de Sansão (Juízes 13). A palavra nazireu significa algo como “consagrado” ou “separado”. Esta palavra vem do hebraico “nazir”, que deriva da raiz “nazar”, “separar”, “consagrar” ou “abster-se”. O hebraico “nezer”, “diadema”, “coroa de Deus”, às vezes, é aplicada em referência aos cabelos compridos e característicos dos nazireus. O voto do nazireu consistia no seguinte:

  • Os nazireus deviam adotar a abstinência do vinho e de qualquer outra bebida levedada. Em relação ao fruto da vide, essa proibição não se restringia apenas ao vinho. Ela incluía também o suco da uva e a própria uva, tanto fresca quanto passas (Números 6:3,4).
  • Os nazireus também não podiam cortar seus cabelos durante o período de seu voto de separação (Números 6:5).
  • Quem fazia esse voto de nazireado não podia aproximar-se de um cadáver, nem mesmo se fosse de seu parente mais próximo. Durante o voto dos nazireus, aproximar-se de um cadáver implicava em sua contaminação (Números 6:6).

O que nós podemos aprender com o nosso texto base?

1. O que fascina os seus olhos ou os seus desejos pessoais, pode se transformar no caminho para a sua fraqueza, tanto espiritual quanto moral. (vs.18,19)

A Bíblia nos ensina a não amarmos as coisas deste mundo, ou seja, aquilo que os opositores do SENHOR nos oferecem como verdadeiro prazer, pois as suas criações não procedem de Deus. Portanto, nós devemos tomar cuidado com tudo o que invade os nossos olhos para nos afastar de Deus e incitar o nosso orgulho e egoísmo. (cf. 1 Jo.1:15,16) Sansão jogou na lata do lixo a sua vida de comunhão com Deus, pelo prazer de amar mais a si mesmo e os seus interesses pessoais.

Deus nos ensina que este mundo está caótico, afastado do Altíssimo e perecendo. Assim sendo, Deus nos diz que as coisas más e proibidas perecerão com ele, mas que todo aquele que perseverar em fazer a vontade de Deus, viverá para sempre. (cf. 1 Jo.1:17)

2. Os seus pensamentos podem expressar a sua crença, mesmo que a sua realidade revele a falta da fé verdadeira. (v.20)

O tema de nossas meditações é que “A FÉ É MAIS DO QUE ACREDITAR”. Portanto, é necessário crer, porém, nós devemos ser obedientes a Deus no nosso compromisso com Ele. Muitos pensam que são cristãos, mas suas vidas mostram outra realidade. Portanto, há inúmeras pessoas que fazem coisas para Deus, mas com uma vida totalmente desaprovada por Ele.

A pessoa cauteriza a sua consciência, ou seja, a realidade da sua vida, e vive uma mentira. Esse tipo de pessoa se deixa envolver por certos pensamentos mentirosos, os quais alteram plenamente a sua conduta, acreditando estar vivendo pela fé ou em uma atitude de fidelidade a Deus. Sansão pensou dessa forma, sem avaliar a aprovação divina pela sua vida!

Deus nos ensina o seguinte: o nosso “coração” é muito mentiroso e traiçoeiro. Ele está cheio de maldade. Você não é capaz de saber até que ponto é mau e desobediente. Somente o Senhor sabe! Ele explora cuidadosamente os pensamentos e, se não houver uma honesta disposição para se alinhar com Ele, terá que enfrentar situações disciplinares, de acordo com as suas escolhas. (cf. Je.17:9,10)

3. Creia que Deus, o SENHOR, pode se afastar de quem não é fiel a Ele. (v.20)

Há quem diga que Deus não se afasta de Seus filhos, porém, a Bíblia diz o contrário. Em muitas ocasiões, Deus deixou que os Seus andassem sem a Sua presença, por causa do espírito de rebeldia e desinteresse. Sansão experimentou essa triste experiência!

Nós encontramos casos na Bíblia em que o SENHOR deu a certas pessoas um determinado tempo para que se arrependessem de suas escolhas e atitudes, mas, ao persistirem no orgulho e no egoísmo, Deus as abandonou. O pior é que o erro delas pode atingir ou causar muitos danos à sua descendência. (cf. Lamentações 5:7,8)

4. A falta de fidelidade a Deus pode fazer com que Seus filhos fiquem nas mãos dos seus inimigos. (vs.21-27)

A falta da fé verdadeira faz com que a pessoa perca o interesse em aprender sobre o caráter e os planos de Deus. O que acontece a seguir? O “deus deste mundo pecaminoso” pode torná-la cega, ou seja, incapaz de ver a grandeza e o esplendor tanto do Evangelho como de Jesus.

Quem não consegue ver Jesus na sua vida, nunca verá o esplendor e o poder verdadeiro de Deus. (cf. Jo.14:9) É somente por meio de uma comunhão com Cristo que se pode usufruir de todos os recursos da graça de Deus. Ora, quem não desfruta dos recursos da graça divina, nas mãos de quem estará tal pessoa? Sansão foi um exemplo disso tudo!

5. O relacionamento frágil com Deus é motivo de zombaria por parte dos que se opõem ao SENHOR. (vs.24,25)

É triste notar que muitos cristãos não são bem recebidos pelas pessoas, devido ao seu caráter duvidoso. Eles percebem que o “tal cristão” não tem compromisso algum com Jesus, Seu Evangelho e, por conseguinte, com Deus.

Tanto os cristãos como a Igreja têm dado motivo de zombaria ou escárnio aos opositores do Evangelho, devido à sua fraqueza espiritual e moral. Sansão fez com que as pessoas desacreditassem na grandeza e no esplendor de Deus por conta da sua má conduta!

Jesus ensinou que não devemos esconder a “Luz” (Jesus e Seu Evangelho) que há dentro de nós, mas que deveríamos fazer com o Seu brilho fosse exposto a todos por meio da nossa obediência a Deus em Cristo, a fim de que “Ela” possa ser vista e todos pudessem reconhecer a realidade de Deus, aprendessem a louvá-Lo e O recebessem como o Pai Eterno. (cf. Mt.5:15,16)

6. Somente aquele que é sincero e está disposto a morrer para si mesmo é que fica livre dos poderes do mal. (vs.28-30)

Quantos não andam de igreja em igreja pedindo orações para se verem livres dos poderes demoníacos que os atormentam! No entanto, eles se esquecem que há uma só maneira de se livrar dos grilhões satânicos, e o meio é uma vida de fidelidade a Jesus, que é Deus!

Jesus ensinou que todo aquele que vive somente para as coisas desta vida, por amar o mundo, perderá a vida verdadeira que vem do “Alto”. Ele ensinou sobre a necessidade de não sermos prisioneiros do egoísmo e das coisas terrenas, a fim de conseguirmos desfrutar da glória ou esplendor divino, tanto aqui como na eternidade.

No entanto, isso só é possível quando aprendemos a morrer para nós mesmos e a vivermos para Deus. Viver para Deus implica em amarmos ao próximo, ou seja, darmos a ele a graça que Deus nos tem dado, em Cristo. Isso envolve a honestidade, o amor, a fé, o bom caráter, um coração quebrantado e humilde. Enfim, damos às pessoas tudo o que Deus nos pede para darmos, pois isso prova o nosso desapego às coisas desta vida e a nossa confiança no Eterno.

Sansão só entendeu essa verdade quando ficou cego e sofreu nas mãos dos seus inimigos. Então, ele orou com sinceridade a Deus, colocando a sua própria vida à disposição do Senhor e dos seus! Ele não se suicidou, mas morreu para si mesmo em benefício do seu povo e por amor a Deus. Ele entendeu que a eternidade era real e que tudo o que buscou era pura fantasia, um produto de um coração rebelde e desobediente.

Pela sua atitude honesta e dedicada a Deus, Sansão ficou livre dos poderes que o atormentavam e amarravam a sua vida, isto é, seus pecados e o poder influenciador deste mundo. A sua vida abençoou todo o seu povo, pois ele agiu com confiança em Deus.

Sansão se entregou finalmente a Deus e, pela fé, deixou este mundo, alcançou a eternidade e nos deixou um exemplo a ser seguido: a obediência a Deus e uma vida de prazer Nele é preferível a todos os encantos que o pecado e o mundo podem nos oferecer.

Que Deus nos abençoe!

ImprimirEmail