A fé é mais do que acreditar - Parte 41: A fé de Gideão (6) - A fé verdadeira revela a tolice da idolatria (Parte 1)

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Hebreus 11:32

Texto Bíblico:

& O que mais posso dizer? O tempo é pouco para falar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas. (Hb.11:32 NTLH)

Nas últimas semanas, eu tenho falado acerca da condição espiritual e moral do povo de Deus (os israelitas), na época de Gideão. Já expliquei quem foi Gideão (escolhido por Deus para julgar e defender os israelitas em assuntos internos e contra os inimigos), acerca do seu encontro com Deus, sobre o tempo e as razões divinas do seu chamado.

A fim de ser abençoado por Deus e abençoar pessoas, Gideão precisava submeter-se somente ao Pai e demonstrar uma fé verdadeira, uma fé bíblica, para servir de exemplo aos demais patrícios. Então, o SENHOR o conduz ao seu primeiro teste, isto é, à primeira prova da sua fé.

1. A fé bíblica pode conduzi-lo a pressões e riscos perante os que se recusam a refletir sobre a glória de Deus. (Juízes 6:30-33)

Na meditação anterior sobre a fé de Gideão, nós vimos que o primeiro teste divino dado por Deus a ele não foi fácil, pois envolvia a limpeza espiritual no seu seio familiar, pois eles, como todos os israelitas, adoravam o deus Baal (o deus pagão da fertilidade).

No texto bíblico abaixo, nós aprendemos que, ao obedecer a Deus, Gideão também provocou a ira externa, ou seja, dos adoradores do tal deus pagão, os quais, a todo custo, queriam matá-lo por ter destruído o altar e o poste-ídolo do deus Baal. Porém, naquele momento, o SENHOR preservou a sua vida.

& 30 Então disseram a Joás: — Traga o seu filho aqui para ser morto porque ele derrubou o altar de Baal e o Poste-ídolo. 31 Mas Joás disse a todos os que estavam ali reunidos contra ele: — Vocês estão defendendo Baal? Quem o defender será morto antes do amanhecer. Se Baal é deus, que ele mesmo se defenda. O altar dele é que foi derrubado. 32 Daquele dia em diante, Gideão passou a ser chamado de Jerubaal, pois Joás tinha dito: “Que Baal mesmo se defenda. O altar dele é que foi derrubado.” 33 Então todos os midianitas, os amalequitas e os povos do deserto se juntaram, e atravessaram o rio Jordão, e acamparam no vale de Jezreel. (Jz. 6:30-33 NTLH)

Gideão estava sob tremenda pressão e risco, mas Deus usou as palavras de seu pai Joás para com os pagãos, a fim de salvar o seu filho da morte. O que Joás fez? Ele procurou com que os pagãos refletissem ou pensassem sobre o caráter do seu deus, Baal. Se esse deus fosse tão poderoso como afirmavam, que ele se defendesse, pois o tanto o altar como o poste-ídolo, não deveriam ser considerados maiores e mais poderosos do que o próprio deus da fertilidade.

Lembre que Gideão agiu em obediência a Deus, pois ele havia estado na presença do Eterno e conheceu a Sua glória. Naquela ocasião, Gideão ficou pasmo ao ver o poder “Daquele” com quem pessoalmente conversou e declarou: “Ai de mim, SENHOR, meu Deus! Eu vi o Anjo do SENHOR [Jesus, no Velho Testamento] face a face!” (cf. Jz.6:22)

2. Todo aquele que, pela fé, reflete e medita constantemente sobre a glória de Deus, rejeita a loucura de toda prática idólatra.

Nós aprendemos a descrever de modo simples, porém verdadeiro, sobre “a glória de Deus”. A glória de Deus é tudo o que Ele é (Seu caráter), tudo o que Ele faz (Seu poder) e tudo o que Ele oferece (Seus recursos por meio da Sua graça ou bondade). Portanto, todo aquele que deseja aprender sobre Deus, precisa conhecer:

  • Seu caráter – Seus atributos, Seu modo de ser, Sua pessoa, Seu trabalho e o que O torna distinto, diferente, distinguível e elevado acima de tudo e de todos.
  • Seu poder – o que Ele faz e o que não faz, por causa do Seu caráter.
  • Sua graça ou bondade – o que Ele oferece e o que não dá, devido ao Seu caráter.

O que é a idolatria? Antes, entenda o que é um ídolo: ele é uma imagem, uma representação de algo, ou um símbolo que seja objeto de devoção passional, quer material, quer imaginado. De modo geral, idolatria é a reverência ou o amor irracional ou passional a um ídolo, ao qual são atribuídas as qualidades divinas, seja ele em forma de pessoas ou de animais. (cf. Rm.1:22)

A idolatria é uma criação do próprio homem, para se tornar independente de Deus, não estar abaixo Dele e não ser dirigido por Ele. A idolatria é mais um sentimento com caráter irracional e religioso que se desenvolve pelos anseios humanos, que se recusa tanto a refletir sobre a glória de Deus como obedecê-Lo. A motivação da idolatria é a “cobiça” ou a ambição perniciosa, o desejo ardente e desmedido pelo poder, dinheiro, bens materiais, glórias pessoais etc.

O “culto às cobiças humanas” é fortíssimo na sociedade de nossos dias. Portanto, se a cobiça, nos moldes que comentamos, “passa a dirigir a sua vida, segundo a Palavra de Deus, ela adquire uma forma de idolatria, que destrói a fé verdadeira sem que você perceba. (cf. Colossenses 3:4,5)

O sarcasmo dessa situação é que muitos se escandalizam com a idolatria exposta na religião e não percebem que ela reside no coração humano, cujo estado doentio é incurável. (cf. Jr.17:9,10)

Para entendermos a tolice da idolatria, observemos as palavras do profeta Isaías (Isaías 44:14-17), que declarou o seguinte:

& 14 "O escultor vai à floresta para cortar uma árvore; escolhe um cedro, um cipreste ou um carvalho. Ele só corta árvores bem grossas ou então planta uma e espera até que a chuva a faça crescer." 15 "O homem usa uma parte da madeira para fazer um fogo; ali ele se esquenta e também assa o pão. A outra parte da madeira é usada para fazer uma imagem; e o homem fica de joelhos e a adora." 16 "Assim metade da madeira serve para fazer um fogo; o homem assa a carne, come e fica satisfeito. Também se esquenta e diz: “Que fogo bom! Já me esquentei bem!”" 17 "Com a outra metade da madeira, o homem faz uma imagem, isto é, um deus; depois, fica de joelhos e a adora. E faz esta oração: “Tu és o meu deus; salva-me!”" (Is.44:14-17 NTLH)

Entenda a situação: um homem planta uma árvore e, então, desta, tira a lenha para fazer fogo, a fim de aquecer a comida e assar o pão. Depois, da mesma madeira, ele faz um ídolo e lhe faz um pedido: “Tu é o meu deus; me salva, dá a tua ajuda e me livra!” Olhando para a atitude desse homem, o que nós diríamos acerca dele? “Que ele é irracional ou passional, pois age como um tolo!”.

A loucura ou a tolice humana reside no fato de o homem dar um caráter imaginário a um pedaço de madeira, ao qual ele chama de seu deus. Ele define, segundo a sua própria imaginação, o que “aquele deus” é capaz de fazer em uma determinada circunstância ou em outras situações específicas. Portanto, ele abre uma porta à sua imaginação, para criar “protetores vários”, ou seja, vários ou diferentes “servidores” para cada situação da sua vida. “O Único Deus” ou o SENHOR Todo-Poderoso, segundo a sua imaginação, não é suficiente!

Tolamente, ele dá aos seus deuses imaginários, ou seja, aos “intermediários entre Deus e o homem, atributos, qualidades ou características que só pertencem ao SENHOR. Ele não se preocupa em saber que isso é um terrível insulto a Deus! O que importa são os seus próprios desejos, os seus interesses pessoais, e não o conhecimento da vontade, propósitos e o caráter real de Deus. Na verdade, a pessoa mais importante nesse culto é ele mesmo, o ser humano, e não o Deus Todo-Poderoso!

Vamos trazer esse cenário para os dias atuais. Nós nos beneficiamos dos reflorestamentos. Nessas áreas reflorestadas, há o trabalho de grandes e potentes máquinas, que cortam as árvores e enviam a madeira das mesmas às indústrias de papel e celulose, por meio de vários sistemas de transportes às fábricas, para que o material seja transformado em papéis de diferentes qualidades.

Entre eles, estão o papel para que livros sejam impressos, os quais tratarão sobre a nossa cultura, nossas ideias (livros, jornais e revistas), as nossas “indispensáveis” cédulas, folhas para cheques, promissórias e títulos para o mercado financeiro. Por esses tipos de papéis, as pessoas mentem, matam e morrem!

Para alcançar os seus interesses ou desejos pessoais e percebendo esse anseio público pela prosperidade financeira, muitos líderes religiosos fazem uso da religião para dar uma esperança falsa às pessoas, pois fazem do desespero delas o meio para arrecadar muito dinheiro.

Pois bem: o homem planta as árvores, as corta, transforma a madeira em papel moeda e o dinheiro se torna o seu deus, o qual é manufaturado por ele próprio. Essa é a analogia de Isaías 44:14-17.

Atentemos às palavras de Paulo ao seu discípulo Timóteo (1 Timóteo 6:9,10):

& 9 Porém os que querem ficar ricos [ter como o alvo ou propósito principal da vida] caem [cair entre ladrões, cair sob o poder de alguém] em pecado [autossuficiência, vivendo longe dos propósitos divinos para a vida], ao serem tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos [irracionais ou passionais], que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição [arrastar para o fundo, para longe da graça e da vida eterna com Deus]. 10 Pois o amor [veneração, adoração, culto, serviço] ao dinheiro [à avareza, ao materialismo, às riquezas] é uma fonte [que brota, que afeta a descendência] de todos os tipos de males [perversidades no pensar, sentir e agir]. E algumas pessoas, por quererem [cobiçarem, se entregarem ardente e irracionalmente] tanto ter dinheiro, se desviaram da fé [perderam o caminho de Deus, do conhecimento da verdade para a prática do que é errado] e encheram a sua vida de sofrimentos [tristezas e aflições que os consomem, atormentam, torturam, destruindo o caráter e propósitos cristãos]. (1 Tm.6:9,10 NTLH)

Digo com muita tristeza que, hoje em dia, é ensinado que “uma igreja boa ou poderosa” é aquela na qual você possa “se sentir bem” e que “satisfaça todos os seus desejos pessoais”.

Ao público, é oferecido “um culto para isso e para aquilo” onde, na verdade, só existe o “culto de si mesmo”, isto é, a adoração passional pela cobiça humana. Então, as igrejas transformam suas reuniões em “salões da alegria”, e depois vendem águas benzidas, rosas ungidas, fitas, novenas, peças de vestuários, sabonetes, desodorantes, perfumes ungidos e, além dessas coisas, orações poderosas e milagrosas.

O que esses líderes religiosos estão fazendo? Estão dando a esses objetos as qualidades, os atributos e as características que pertencem somente a Deus, o SENHOR! Isso é um grande insulto ao Deus Todo-Poderoso! Por não refletirem sobre a glória de Deus, eles O rebaixam e imprimem o Seu caráter em clichês simplistas e aos mais variados objetos, para que, através dos quais, as imaginações das pessoas desesperadas sejam alimentadas por falsas ideias acerca do trabalho e dos favores divinos.

A Palavra de Deus nos foi dada pelo SENHOR para ser ensinada, aprendida, cumprida, guardada, e deveria promover tanto o respeito como o temor aos que a ouvem através das gerações (cf. Deuteronômio 6.1-2), mas, infelizmente, ensina-se nas igrejas a filosofia de se sentir bem e de buscar, por meio de ideias ardilosas, tudo o que satisfaz aos anseios humanos.

Permita-me fazer essas perguntas: “Quando nós nos reunimos, fazemos isso para adorarmos ao SENHOR ou a nós mesmos? O que ou a Quem nós estamos buscando? Deus ou os nossos interesses pessoais? A glória divina ou a nossa?” A falta de reflexão sobre a glória divina fez com que até a Igreja de Jesus fosse conduzida não mais pelo SENHOR, mas pelos anseios humanos.

Gideão, em um só encontro com o Deus verdadeiro, por meio de Jesus, o ANJO DO SENHOR, no Velho Testamento, enxergou todas essas coisas quando refletiu sobre o esplendor da glória divina. Jesus fez com que ele enxergasse a grandeza, o poder e o cuidado que Deus tem pelo Seu povo, quando este decide andar no Seu caminho.

Muitos se reúnem, por meses, anos e a vida inteira com Jesus, mas não permitem que Ele lhes mostre ou revele em seus corações como Deus é poderoso para guardar todo aquele que busca expressar a fé bíblica ou verdadeira no SENHOR. Continuam no erro e, em todo o tempo, destroem a glória de Deus, ou seja, Quem Ele é, o que faz e o que oferece, pelas suas imaginações fantasiosas e egoístas.

Que Jesus nos ajude a vencer a tolice das nossas idolatrias! Ele nos ensinou, em Mateus 16:31-34, a confiarmos em Deus e a não temermos as preocupações da vida.

& 31 Portanto, não fiquem preocupados, perguntando: “Onde é que vamos arranjar comida?” ou “Onde é que vamos arranjar bebida?” ou “Onde é que vamos arranjar roupas?” 32 Pois os pagãos é que estão sempre procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. 33 Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas. 34 Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades. (Mt.6:31-34 NTLH)

Continuaremos na próxima semana, se Deus permitir!

Que Deus nos abençoe!

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